Estudo da CCEE revela que 81% das novas adesões foram realizadas via comercializador varejista; setor de serviços e comércio lideram a transição para o Ambiente de Contratação Livre (ACL).
O mercado livre de energia elétrica no Brasil encerrou o ano de 2025 com um crescimento histórico, consolidando-se como a principal alternativa para empresas que buscam redução de custos e previsibilidade orçamentária. Segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o país registrou a entrada de 21.707 novas unidades consumidoras no Ambiente de Contratação Livre (ACL) ao longo do ano.
Este volume representa um salto de 193% em comparação ao total de migrações realizadas em 2023, elevando o número total de consumidores registrados na CCEE para 85.450 ao final de dezembro de 2025.
O Triunfo do Modelo Varejista
O grande motor dessa expansão foi o segmento varejista. Das mais de 21 mil migrações, 81% (17.495 unidades) optaram por ser representadas por um comercializador varejista junto à CCEE.
Este modelo simplifica o acesso de pequenas e médias empresas ao mercado livre, uma vez que o comercializador assume todas as obrigações burocráticas e os riscos junto à Câmara, permitindo que o consumidor foque apenas na gestão de sua conta. Para efeito de comparação, em 2023, apenas 15% das migrações ocorriam por este modelo, o que demonstra uma mudança estrutural profunda na forma como o brasileiro compra energia.
Pequenos Consumidores e CPFs no Mercado Livre
Um dado inédito destacado pelo estudo é a democratização do acesso. Em 2025, 93% das migrações foram de consumidores com carga menor ou igual a 0,5 MW, o que abrange desde pequenos comércios até consultórios e escritórios. Além disso, o interesse de pessoas físicas começou a aparecer de forma consistente nas estatísticas, com 370 migrações via CPF registradas no ano, um crescimento de 9% frente a 2024.
Setores e Regiões em Destaque
Os setores de Serviços (7.458 unidades) e Comércio (6.379 unidades) foram os que mais migraram em 2025, seguidos pela indústria alimentícia e pelo setor de saneamento. Geograficamente, a liderança permanece concentrada no Sudeste e Sul:
- São Paulo: 6.114 migrações.
- Paraná: 2.214 migrações.
- Rio Grande do Sul: 1.581 migrações.
- Minas Gerais: 1.344 migrações.
No entanto, a CCEE observou um interesse crescente e uma aceleração de migrações nas regiões Norte e Nordeste, sinalizando uma descentralização da competitividade energética no país.
Contexto Econômico: Queda no Cativo vs. Alta no Livre
Essa migração em massa ajuda a explicar os dados apresentados pelo Boletim Trimestral da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Enquanto o consumo de energia “cativa” (comprada diretamente das distribuidoras) no setor comercial caiu 12,7% no terceiro trimestre de 2025, o consumo no mercado livre comercial saltou 16,2% no mesmo período. Na indústria, o fenômeno é semelhante: o mercado livre já responde por 46,3% do consumo nacional total de eletricidade.
Previsões para 2026
A tendência de alta deve se manter em 2026. Projeções baseadas em solicitações de cadastro e denúncias de contratos junto às distribuidoras indicam a entrada de pelo menos 9.200 novos consumidores apenas no primeiro semestre deste ano.
Com a abertura total do mercado para os consumidores do Grupo A (alta tensão) e a evolução tecnológica das APIs de migração da CCEE, a expectativa é que o mercado livre continue a ser o principal destino das empresas brasileiras que buscam fugir da volatilidade das tarifas reguladas.
Fontes Consultadas:
- Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE. Estudo: Cenários do Mercado Livre de Energia 2025.
- Empresa de Pesquisa Energética – EPE. Boletim Trimestral de Consumo de Eletricidade – Ano VI, nº 23 (3º Trimestre de 2025).
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